Tywen Kelly só há uma (ou a estratégia GoogleUnique)
Além de uma grande inteligência e perspicácia, Kevin Kelly tem uma propensão para as coisas raras, quando não únicas. Tem, por exemplo, um dos raros domínios com 2 letras: kk.org.
Curiosamente, Kevin tem um dos apelidos mais comuns nos Estados Unidos da América. Há milhares de Kelly e centenas de Kevin Kelly.
Talvez tenha sido isso que despertou nele o sentido do raro.
O certo é que decidiu que os seus filhos não teriam nomes tão partilhados. Kevin é pioneiro na estratégia, que diz ser cada vez mais seguida, de dar aos filhos GoogleUnique names.
A sua filha Tywen Kelly pode procurar no Google pelo seu nome com a certeza de não se ver misturada, ou confundida, com dezenas de outras pessoas. Tem actualmente 67 resultados, todos relativos a si própria (experimente aqui).
O nome de Tywen — que nasceu antes da expansão da web — foi escolhido pelo pai americano (de origem irlandesa) e pela mãe de origem chinesa de forma a ter significado tanto em inglês como em chinês.
Kelly descobriu depois que Tywen também obedece à estratégia GoogleUnique, que consiste em arranjar nomes — para filhos, mas também para marcas, produtos, serviços, empresas — que além de fazerem sentido na língua ou línguas do seu “mercado” natural, obtenham resultados individualizados nas SERP (Search Engine Results Pages).
É fácil de perceber porquê. Quanto mais única for uma marca, mais facilmente se distinguirá e reconhecerá. E dominar o topo das SERP não está ao alcance de todos — como comprovam infelizmente cada vez mais empresas que abrem um site e descobrem que ninguém lá vai porque os seus endereços nunca chegam aos primeiros resultados dos motores de pesquisa. O percurso típico consiste, no passo seguinte, em pagar centenas ou milhares de euro aos “especialistas” que lhes colocam o nome “em milhares de motores de busca”; depressa descobrem que foram embarretados, ou, vendo pelo lado humorístico, pagaram a “jóia de inscrição” na web, o mundo onde as regras da notoriedade (ainda) são diferentes.
Eu não usei a estratégia GoogleUnique. No entanto, a pesquisa pelo meu nome, Paulo Querido, fornece milhares de resultados e mais de 90% deles dizem-me respeito (os outros têm sobretudo a ver com o Google ignorar pontuação, como na frase “uma produtora independente de São Paulo, “Querido diário” pode ser visto”). Mais interessante que isso: é preciso chegar à casa dos 50ºs a 60ºs resultados (geralmente, a 5ª páginas de resultados) para encontrar páginas que sejam hostis à minha “marca”.
Mas isto tem a ver com outra coisa: antiguidade e ocupação de espaço. O apelido Querido não é propriamente raro, mas também não chega a ser comum — e por outro lado tenho andado pela rede fazendo, escrevendo e guerreando, pelo que não chego a entrar na indesejada tabela do GoogleCommon.
Hoje, com os “lugares normais” tomados num ecosistema de hiper-abundância de marcas e nomes, são necessárias estratégias de comunicação criativas — como o GoogleUnique — para obter alguma atenção. Sobretudo se tivermos nomes e marcas GoogleCommon.
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Talvez seja eu que não tenha bebido a minha poção mágica “Google” esta manhã mas escolher o nome dos putos por causa dos resultados do Google é quase tão imbecil como chamar-lhe “Stallion and Cinderella Beauty Blossom“. Ok, ainda há uma distância a separá-los, mas…
Percebo a comparação com o nome das empresas mas ainda assim discordo. O ideal é escolher um nome com que se possa ombrear com a concorrência do nosso nível. Se eu criasse um serviço para listar as empresas online de cariz local não lhe iria chamar “paginas quase amarelas”. Mas também não serve de nada ciar um nome novo “Superbueamarelas” porque ninguém vai procurar por esse nome - convém que o nosso nome tenha as palavras chave da nossa actividade. A gestão da reputação nos SERP não é tudo, aliás é apenas uma parte. Encontrar um nicho é a chave.
Voltando aos nomes únicos, eu acredito que caminhamos para um mundo em que o nome é apenas uma das keywords que utilizaremos para googlar alguém. Outra solução será a do FaceBook que estuda os nodos.
Se entrasses no facebook amanhã e todos os teus amigos já lá estivessem e fizesses uma busca por Miguel encontrarias os teus amigos com esse nome no topo da lista.
António, já vi nomes bem piores que esses, mas tendo a concordar contigo sobre o disparate de escolher nomes de pessoas em função das pesquisas.
Não foi isso que Kelly fez. Nem é disso que se trata quando se fala em GoogleUnique.
“Convém que o nosso nome tenha as palavras-chave da nossa actividade”.
Sim: convém. Mas esse é, também, apenas uma parte da avaliação que devemos fazer para escolher um nome de empresa. Ninguém trocará um nome feliz sem as keywords da sua actividade por um nome menos feliz mas com as keywords.
Por diversos factores — sendo um deles a saturação de keywords em cada vez mais nichos de mercado.
Um exemplo: se todas as empresas do nicho SEO têm SEO no nome, vão surgir todas nos resultados, mas eu fico a olhar para uma página com 20 empresas todas parecidas. Clico na primeira — ou, em desespero de causa, ao acaso.
Mas se eu colocar uma nova empresa nesse nicho com um marketing efectivo e um nome Googleunique, a pessoa irá procurar pelo nome, não pela chave.
Claro que isto se o meu nome Googleunique for também bom. Não basta ser Googleunique.
Como se comprova no caso de Tywen, a notoriedade é PRÈVIA à uniqueness. Tyewn foi escolhido em função de ter significado nas culturas de origem dos pais.
Os nichos encontram-se, ou os nichos fazem-se, António? Penso que adivinho a tua resposta: ambas.
“e todos os teus amigos já lá estivessem e fizesses uma busca por Miguel encontrarias os teus amigos com esse nome no topo da lista”.
Pois. Se eu tiver dez miguéis como amigos, está bem. Mas se vorem 100 não é como dizes: 90 não vão estar “no topo da lista”, assumindo que o “topo” comporta 10 lugares.
Tu és aqui mais culto que eu. Sim, tb penso que a aproximação algorítmica do Google não resistirá muito tempo num universo de relações mais complexas e quando mais entidades usarem a optimização (que as aproximará demasiado umas das outras, voltando à… indiferenciação). O Facebook é um passo em frente. Outro está nos formatos legados pela Wikipedia, o Knoll e outros, onde a edição humana é maior. Tenho contudo algumas desconfianças em relação ao Facebook…
Uma boa achega: http://www.dailyblogtips.com/on-domain-names-size-and-quality-does-matter/
“se todas as empresas do nicho SEO têm SEO no nome, vão surgir todas nos resultados, mas eu fico a olhar para uma página com 20 empresas todas parecidas.”
E é por isso que elas diversificam. Vai acontecer o mesmo em PT, lá fora há o cornwell seo, utah seo. local seo, small business seo e as pessoas perante a abundância vão atrás: tanto seo, quero um seo na minha cidade, etc. Eu não acho de forma alguma que os nomes não devam ser únicos, a arte está em criar uma marca única abarcando o maior número de palavra/ideias/conceitos/chaves em que a empresa tem possibilidade de concorrer.
“Os nichos encontram-se, ou os nichos fazem-se, António? Penso que adivinho a tua resposta: ambas.”
Só me falta perder uns 5 kilitos para ser mais transparente
Pois. Se eu tiver dez miguéis como amigos, está bem. Mas se vorem 100 não é como dizes: 90 não vão estar “no topo da lista”, assumindo que o “topo” comporta 10 lugares.
Não sei se me expliquei bem, o que eu digo é que ao entrares no facebook e adicionares metade dos teus amigos reais, ao procurares pela outra metade os teus amigos vão aparecer no topo dos resultados porque o FB os encontra com ligações aos teus amigos (os nodos da rede). Se tu tiveres 100 amigos com o nome Miguel aí já quererás utilizar mais do que o nome próprio para encontrar um determinado Miguel.
Penso saber o que queres dizer mas não estou certo que esta analogia se possa traduzir para os SERPs.