Site Meter
Secção política

Eleições americanas nos meios online

As actuais eleições americanas são um fenómeno mediático invulgar e desta vez foram revolucionadas / revolucionaram a web, tanto a social como a dos meios online tradicionais.
Estes em regra tornaram-se conhecidos por gostarem de reinventar a roda e fingirem para as respectivas audiências serem Os Maiores Inovadores. O mais espantoso é que isto funcionava. Relativamente, mas funcionava. No papel, quero eu dizer. Online… não. Online, todos podemos comparar as rodas e a abundância delas leva uma boa parte das audiências ao enjôo.
É aqui que entra em cena a capacidade criativa.
Tomemos o Público. O Público tem um dossier interno igual aos outros todos, como não podia deixar de ter. Mas adicionou-lhe um blogue. Um blogue normal, se me faço entender. Um blogue com links, com debate, com envolvência na blogosfera.
Não se ficou por aí. Agora, adicionou-lhe uma ideia engraçada. Curiosa. E que tem interesse noticioso, o que dá sempre jeito. A ideia consiste em fazer um gráfico animado.
Bem. Gráficos animados com os resultados das eleições para a presidência americana, vamos ter 500.000 nos próximos dias. Até o blogues os vão produzir.
Então porque é o do Público diferente?
Porque o Público decidiu ver como seria se os portugueses votassem.
O seu mapa é o mapa do eleitorado português. É aí que está a diferença. É aí que está a pertinência.

 

A cobertura nos meios

Grupo RTP: um dossier interno (lista das notícias e videos), blogue dos enviados da RDP (bons, por sinal) e, de há muito, o blogue de Vitor Gonçalves, correspondente nos EUA, votações. Nem um link para fora. Nem mesmo nos blogues, que parecem proibidos de o fazer. Os blogues apresentam na coluna lateral (ou no rodapé) links para os sites oficiais dos candidatos, bem como para outros sítios úteis relacionados com o Governo dos EUA. E, disse-me há pouco o Alexandre Brito, não há nernhum problema em fazer links para fora, desde que se justifique. Óptimo!
SIC: Uma lista das suas notícias e videos relacionados e o blogue de Luis Costa Ribas. Corajoso? Ou um extravagante a quem permitiram fazer links (todos americanos)?
TSF: uma lista das suas notícias.

Vou tentar actualizar esta lista. Agradecem-se adições nos comentários, que serão puxadas (e citadas) para cima. Talvez faça mais alguma coisa no domínio eleicoesamericanas.com, talvez não. Vai depender um bocado do feedback dos meus leitores: valerá a pena?

PSD renova site: web social chega finalmente aos partidos

O site do PSD surgiu totalmente renovado na semana passada. E para muito melhor, devo dizer. Em todos os aspectos. Foi um salto quântico e tanto mais surpreendente que passou despercebido à maioria. Um take da Lusa dá conta das boas intenções da líder do partido, nomeadamente a sua “genuína vontade de partilharmos a liberdade e a controvérsia, considerando que esse é um dos grandes contributos sociais da Internet“. Mas não teve repercussão.
A Internet não deu por isso ainda e duvido que se venha a estabelecer um diálogo real. O salto dado agora é louvável, mas não tenho ilusões sobre a falta de capacidade dos políticos instalados para lidarem directamente com os eleitores aguerridos que compõem a grande maioria dos frequentadores activos (i.e., que participam debatendo) da web social.
Mas isso não importa nesta altura. A verdade é que o PSD foi o primeiro dos partidos com história a aderir realmente à web social. E isto fora do tempo eleitoral, altura em que, manda a tradição religiosamente cumprida, os partidos se sacrificam a “descer” à procura das massas.
O PSD é o segundo partido que eu posso seguir por RSS (o primeiro foi o Bloco de Esquerda), e é o primeiro a assumir no site os canais oficiais nas redes sociais — Youtube e Flickr, para já. No canal do Flickr está já a colecção de cartazes do partido desde 1974, o que pessoalmente saúdo: é a primeira vez que consigo ver reproduções decentes e com o bónus de estarem juntas, poupando trabalho de pesquisa.
Também saúdo em particular o facto de o PSD ter feito justiça aos seus fundadores e antigos líderes. No antigo site era impossível encontrar uma simples lista das pessoas que já presidiram. E vi agora, pela primeira vez, uma foto de Nuno Aires Rodrigues dos Santos e alguma informação, ainda que curta, sobre o mais obscuro presidente do partido. Este membro da Maçonaria presidiu ao PSD em 1983-84. Perdi várias horas à procura de dados sobre ele, numa pesquisa para um trabalho inovador que está para publicação em breve.
É evidente que está muito caminho por andar. O site precisa de mais conteúdo e espera-se a presença do partido — de pessoas que falem por ele, que a ele estejam realmente ligadas — nas redes sociais habitadas por um número cada vez maior de portugueses.
Para mim, melhor que a surpresa de ver o esforço do PSD na direcção certa da web das pessoas, é encontrar no site do partido aquilo que me interessa. E isto não acontecia antes, por incrível que pareça.
(Uma nota sobre DNS à atenção dos técnicos. Sei que é correcto usar o indicativo www, mas não apontar o nome de domínio, psd.pt, também ao site é uma prática que já não faz sentido há mais de uma década. Muita gente, eu incluído, deixou de se dar ao trabalho de digitar o www. E não encontrar o PSD sem o indicativo www é desagradável.)

MEP: uma abordagem correcta


Aproveito o balanço para referir o site do mais recente membro do espectro partidário português. O MEP - Movimento Esperança Portugal começa com o mais “web 2.0″ dos sites institucionais que já vi entre nós, batendo mesmo o do Bloco.
A lista de redes sociais em que o MEP está presente, devidamente apresentadas, com orgulhoso destaque, na entrada do site, bem pode servir agora de inspiração ao PSD. Além do blogue, o MEP tem presença na Wikipedia, YouTube, Slideshare, Picasa, Twitter, Technorati, Hi5, Facebook, MySpace e até no The Star Tracker, uma rede que, apesar do nome em inglês, é suposto agrupar o “talento” português.
A abordagem do MEP à Internet foi correcta. Tem um site institucional que, sem deixar de o ser, consegue apresentar-se pouco formal. E do qual saem, como troncos de um árvore, os ramos de comunicação que estende na direcção dos diversos públicos. Com grande economia de processos, devo dizer.

[ Reprodução de artigo publicado originalmente no Expresso multimedia ]

Isso, basicamente, é sempre, isto é, em todas as eleições, ou bem, pelo menos as presidenciais americanas

É difícil vencer uma eleição quando se está obrigado a não atacar o mandato desastroso do Presidente em funções” (Carlos Abreu Amorim, Professor Universitário, no Correio da Manhã).

W. Bush, essa descontinuidade histórica

A lógica imperial dos EUA é a lógica de qualquer potência. Não depende da bondade do seu povo ou do seu líder. Mas, no que é essencial hoje, não têm razão. Porque Obama não será a continuidade de Bush e porque Bush não foi a continuidade da politica americana anterior. A reacção ao 11 de Setembro foi a que foi porque eram aqueles homens, perigosamente irresponsáveis e sem qualquer limite moral, que estavam na Casa Branca” — a ler em Obama, porquê?, uma análise muito boa de Daniel Oliveira sobre a política americana.
Esta minha escolha da extensa análise do Daniel é um pequeno aperitivo e um aperitivo algo redutor, pois que isolei apenas um ponto sobre o qual me tenho interessado ultimamente, que é George W. Bush. não tenho respostas para isto: como pode um sistema deixar chegar ao topo das decisões, e aceitá-lo lá, um irresponsável e um corpo estranho como George W. Bush? Olhem para a linha dos presidentes dos EUA desde o primeiro ao último. Bush é uma descontinuidade nessa linha.

Os astrólogos

Este é um artigo fundamental do Rui Curado da Silva. Um excerto para vos obrigar a ir lá ler, ver e apreciar (tem, acoplado, um video gravado há um ano).
É arriscado fazer astrologia política. E foi esse o registo no qual Barreto e Pacheco Pereira se dirigiram ao país quando se pronunciaram sobre o futuro de uma forma categórica e arrogante (foi esse o tom). Rever esta entrevista 10 meses depois, rever aqueles semblantes austeros a pronunciar sentenças erradíssimas com uma precisão milimétrica sobre o ano de 2008 acompanhadas de risinhos e bocas marialvistas dos jornalistas, é um exercício que nos faz mergulhar no ridículo na sua forma mais pura
(Via Ideias soltas)

Homenagem a George Walker Bush

Ontem fomos ver W., a meiga biografia que Oliver Stone filmou do pior presidente eleito dos EUA e não eleito do Mundo, desde que me conheço, George Walker Bush. Foram 10, os presidentes americanos que presidiram à minha humilde vida, dos quais recordo muito bem 7: Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush (pai), Clinton e o idiota inimputável, George, que vai sair de cena pela direita muito baixa.
O mundo devia ter mais cuidado com o processo de selecção dos seus presidentes. Um sistema que entrega poder ilimitado a um homem como George W. Bush é um sistema que está mesmo a pedi-las.
A dias de ver eleito o 8º presidente mais influente do meu planeta, que vai ser Barack Obama, presto a minha homenagem particular a W. usando um dos melhores artifícios que Stone usa para subjectivar o filme (que recomendo):



(leitores de feed e newsletter, este link)

A União Soviética, ó senhor doutor (vénia)?

Isso é uma concepção, não é uma realidade” — é o último “argumento” de Pedro Ferraz da Costa na SIC Notícias. Aliás, o penúltimo: acaba de ir ressuscitar a “União Soviética” para atirar na cara daquele rapaz do Bloco que lhe está a dar uma lição memorável.
A União Soviética? Metida nesta crise? Perante um homem do Bloco de Esquerda?! Comprimidos, caro senhor doutor (ainda que estranha, eu respeito a respeitosa vénia que Mário Crespo sempre lhe dispensa)?
E conseguiu dizer outra coisa absolutamente brilhante. Para Ferraz da Costa, os nossos empresários estão a aproximar-se dos estrangeiros e por isso está justificado o aumento da diferença entre as remunerações do topo (repare-se: PFC acabou de subrepticiamente declarar o axioma sou empresário, logo estou no topo da cadeia, reduzindo a pó as PME deste país) e os pobres idiotas dos trabalhadores, que não conseguem aprender, que aborrecimento, cria-nos um problema, não temos criadagem decente!

← Previous PageNext Page →